Na edição de 21 de maio de 2026, a revista Nature publicou um editorial com um título direto: Why AI cannot do good science without humans (Por que a IA não consegue fazer boa ciência sem
humanos). O texto parte de dois estudos recentes em que sistemas autônomos de
inteligência artificial foram usados na busca por novos fármacos, com
resultados impressionantes em velocidade e escala. E, ainda assim, o editorial
conclui com algo que vale repetir: a presença humana no processo não é um
defeito do sistema. É uma característica fundamental. Removê-la não seria
fácil, nem desejável. Esse ponto merece atenção. Não porque a IA seja uma ameaça a ser
contida, mas porque o debate que cerca essa tecnologia oscila com frequência
entre o entusiasmo sem reservas e o completo ceticismo. A realidade, como quase
sempre, deve estar mais na justa medida entre esses dois pontos. Inteligência
artificial é uma ferramenta. Uma ferramenta de extrema sofisticação, capaz de
processar volumes de informação que nenhum ser humano processaria em tempo
útil, de identificar padrões onde olhos treinados não os enxergariam, de
redigir, resumir, traduzir e sugerir com uma fluência que ainda surpreende.
Entretanto, continua sendo uma ferramenta e, dessa forma, seu valor depende de
quem a usa, para quê, e com que grau de compreensão. Saiba mais.
Fonte: Jornal da USP – 15/06/26